Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Reticências...



Às vezes a vontade de chorar é muita. Sustemos as lágrimas para que os outros não vejam. Respiramos fundo para que os outros não olhem. E a vontade de sair por aí fora, a gritar, a berrar, soltando os medos, desenlaçando as amarras, não cabe em nós de tanta fúria, de tanta amargura guardada. E quando fazemos tudo isso, sentimo-nos egoístas porque todos os outros problemas parecem maiores que os nossos...afinal de contas. E o pior é que são.

Domingo, Novembro 27, 2005

Perdições...

Ingredientes:
1 lata leite condensado
6 ovos

Confecção:
Coze-se a lata de leite condensado na panela de pressão durante 1 hora. Deixa-se arrefecer. Junta-se as gemas dos ovos seguidas das claras em castelo, batendo muito bem. Vou entrelaçando o meu corpo ao teu...num leve murmúrio, num sussurro, num suspiro. Respiras sobre a minha pele.

Ando a ficar muito gulosa! :P

(Baba de Camelo)

Sábado, Novembro 26, 2005

...minha meia laranja...

Ingredientes:
6 ovos
315 grs de açúcar
150 grs de farinha de trigo
1,25 dl de sumo de laranja
1 colher de chá de sal fino
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 de chávena de óleo
raspa da casca de 1 laranja

Confecção:
Misture muito bem a farinha com o açúcar junte o óleo, a raspa da casca da laranja, o sumo, o sal, as gemas e, bata tudo muito bem durante 20 minutos. Bata as claras em castelo bem forte e adicione ao preparado, envolvendo sem bater, junte também nesta altura o fermento em pó. Barre muito bem uma forma grande com chaminé e deite o preparado. Alise e leve a cozer em forno moderado durante 1 hora. Depois de cozido retire do forno e vire imediatamente sobre um prato de serviço e deixe arrefecer com a forma.

A nossa mistura é tão consistente como a massa de uma tarte e o nosso amor cresce ao ritmo de um bolo polvilhado com uma colher de café de fermento. O teu olhar é doce como o açúcar que espalho por cima das bolachas. Complemento-te, complementas-me.
Passas-me os ingredientes. Meto as mãos na massa, como se enfiasse os dedos no teu cabelo numa súplica por um beijo com sabor a canela e café moído. Enlaças os braços à volta da minha cintura enquanto vou misturando o branco com o chocolate preto, mexendo-o, ondeando-o, sem parar. Deito a cabeça para trás e pouso-a no teu ombro. Junto as raspas de laranja. Trincas-me a orelha como se apurasses o gosto ao Arroz Doce. Procuras as minhas mãos e consequentemente encontro as tuas em qualquer parte do meu corpo, como se afagasses, incessantemente, a silhueta de uma malagueta. Ardente no gosto e nos sentidos. E eis que encontro a tua metade da minha…meia laranja…

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Hoje soube-me bem



Soube-me bem o teu abraço, o calor dos teus beijos trilhando o meu pescoço e as minhas costas. Soube-me bem o conforto dos “nossos” lençóis, o nosso almoço de bolachas cujas migalhas ficavam presas entre o teu peito e as minhas costas enquanto víamos televisão. Soube-me bem saber que nos riamos perdidamente, sem noção do tempo, inconscientes, delirantes, absorvidos pelo mesmo amor. Soube-me bem adormecer com a cabeça encostada à tua almofada que guardava ainda o teu cheiro e logo depois senti-lo no meu cabelo. Gostei do nosso cafezinho e da maneira como disseste que gostavas de me ver com o cabelo apanhado. Soube-me bem sentir-me próxima de ti, não que tenha estado distante, apenas porque sinto que a nossa vida começa agora a seguir por caminhos mais pedregosos e a necessidade de nos ampararmos cada vez com mais força é constante. Eu vou à frente plantando flores.

Domingo, Novembro 20, 2005

A efemeridade das coisas...



É um ciclo que se fecha, que se completa”, dizes …e as tuas palavras revolvem-se desenfreadamente dentro da minha cabeça. Tudo o que começa tem um fim…mais ou menos inesperado, consinto. Parece que ainda ontem éramos todas caloiras e tínhamos um mundo inteiro para descobrir, mas de repente, olho para trás e parece que parte dessa história foi arrumada em capítulos e guardada numa gaveta da minha memória. Agora cirandamos pela “nossa casa”, a nossa universidade, envergando orgulhosamente o traje, recebendo calorosamente caloirinhos, brincando na tentativa de esquecer que o tempo passa e que o que foi, não volta mais…apesar dos esforços. No entanto, tenho a sensação de me querer estar sempre a adiantar ao tempo. E um turbilhão de coisas acontecem e nós ficamos impotentes perante elas…escapam ao nosso controlo…como a areia entre os dedos. Quando tudo segue por caminhos diferentes, só algumas coisas permanecem inalteráveis…

Contudo, não nego que o medo existe…

Sábado, Novembro 12, 2005

20 mesitos...



"Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."

Carlos Drummond de Andrade

Porque te amo muito...

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Gostava de saber voar...



...para procurar as nuvens e os pássaros, para apurar o gosto ao vento e sentir o calor do sol na minha pele e o cabelo afastar-se da minha cara, de mansinho...assim como tu fazes...Gostava de saber voar para procurar a paz que me falta e rumar para junto do teu coração...novamente...

Terça-feira, Novembro 08, 2005

ainda há dúvidas?



-“Andas triste, amor?”
(Também reparaste, foi?)
-“Não, está tudo bem! Porque é que perguntas?”
-Já não te ris tanto como rias!”
(fico a pensar se estarias a falar a sério… "impressão tua”, apetece-me responder).

O facto é que não gosto do que vejo ao espelho, não me sinto bem na minha própria pele, não consigo argumentar, não me apetece responder…mas o pior de tudo é que sei porquê! É só uma angústia que por vezes passa por mim...talvez tenhas razão...sim, ando triste.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Duplisentimentalismos



Confesso que gostava de ter mais tempo para ti. E depois, sinto que o pouco tempo que temos se resume a nenhum, desaparecendo entre suspiros e desabafos sobre o dia-a-dia. Dentro em breve começa um novo ciclo. Habituei-me demasiado a ti, foi isso. Vai ser difícil adaptar e moldar a minha realidade à tua existência distante. Sinto falta das tardes no nosso banquinho, de ir ao cinema contigo, de jantarmos juntos, das nossas saídas. Sinto falta de “cultivar o nós”, apesar de ele ser cultivado de uma maneira ou de outra todos os dias. O futuro permanece incerto. Uma incógnita com apenas uma certeza…o meu amor por ti.