Terça-feira, Setembro 26, 2006

"Diferente "

"En el mundo habrá un lugar
para cada despertar
un jardín de pan y de poesía
Porque puestos a soñar
fácil es imaginar
esta humanidad en harmonía
Vibra mi mente al pensar
en la posibilidad
de encontrar un rumbo diferente
Para abrir de par en par
los cuadernos del amor
del gauchaje y de toda la gente
Qué bueno che , qué lindo es
reírnos como hermanos
Porqué esperar para cambiar
de murga y de compás"

Gotan Project

...diferente em tudo o que é semelhante...

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

genesis



Ainda o mundo não era mundo, nem tampouco as estrelas existiam e já o Sol e a Lua faziam das suas atrás dos planetas e dos satélites. Enquanto Deus meditava na criação do mundo, deitado languidamente sobre uma nuvem fofa, o Sol e a Lua percorriam o firmamento apaixonadamente ensarilhados um no outro, deixando escapar risinhos e suspiros para espanto dos demais.
Quando Deus acabou de criar a Terra, os demais planetas invejosos remeteram a Lua para sua serva. Serviria a Terra e os seus habitantes de noite, enquanto que o Sol seria Rei dos dias.
Impossibilitados de viverem o seu amor, o Sol e a Lua, como refúgio ao ciúme dos outros elementos do Sistema Solar, descobriram que se poderiam amar durante um único momento. Um centésimo de segundo que equivalia ao instante em que o último raio de Sol tocava a Terra e nascia um novo dia.
Do ápice em que a noite se funde no dia nasceu a única filha dos dois à qual deram o nome de Aurora. E tão grande é o amor que a Lua sente pelo seu Sol, que faz com que a paixão quente e brilhante que guarda dentro de si exploda de alegria todas as noites, dando assim origem às estrelas.

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

cup of coffee



Hoje não consigo postar. Nem as palavras dos outros servem para ilustrar o que quero dizer. Acho que vou ficar mesmo pelo querer…

Era um café, por favor, e o jornal…

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

salvar do tempo

"Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo
Para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer
Esta é uma noite para comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar para nós
onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo
Esta é só uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudades

Numa dor que nunca acaba
e faz transbordar os dias
Esta é uma noite para me lembrar
Que há qualquer coisa infinita como um firmamento
Um sorriso, um abraço
Que transcende o tempo

e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço"

(Mafalda Veiga)

Não me apeteceu postar mais nada do que este simples excerto de umas das minhas musicas preferidas. Talvez porque conseguiu pôr em poucas linhas a essência, os mistérios e segredos da vida. Da minha. E nela espelhou os sentimentos, separou emoções para que cada uma tivesse a sua própria intensidade, propagou vozes, risos, mãos dadas e desenhos pelo ar que ecoam, indefinidamente, dentro do coração.
São as memórias e as recordações.
São as coisas que se “guardam cá dentro”, são os sítios e os recantos para “onde correr” quando “se anseia pelo abraço de um amigo” e essa falta se torna insuportável. E então recorre-se à nossa vida que se “foi acumulando em fotografias” e as lágrimas afloram. Como agora.
Talvez esta seja uma das minhas maiores privações. Vocês.
Mas a vida “é feita em cada entrega alucinada para receber daquilo que aumenta o coração”.
Um beijo meus amigos.
Aquele abraço.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

o 1º do resto da minha vida

Hoje foi o primeiro dia de aulas. Talvez o primeiro dia de aulas mais angustiante de toda a minha vida. Nem quando entrei para o básico foi tão mau. Talvez porque hoje senti a vossa falta em cada canto da universidade, em cada riso e em cada conversa.
Não bastou a rampa ter parecido excessivamente longa pois, quando entro na sala, deparo-me com uma cara bastante conhecida que seria mais uma vez minha professora.
Voltou a picar sobre a praxe.
Voltou a levar resposta.
Acho que isto se começa a tornar uma espécie de tradição.
Os nossos primeiros dias têm uma tendência para serem fatalmente fatídicos.



Mas nem tudo é mau. Apesar dos risos serem outros e partilhados com outros. Foi um sorriso que encheu o meu dia de luz. O postal da Rax e do Ticas lá das terras quentes do Brasil a dizer que está tudo bem.

By the way, acho que vou conseguir fazer os dois módulos de Imprensa/Online e Rádio/TV tudo no 1º semestre. Arrumo logo tudo e vou de Erasmus descansada e mais sabichona! :)

Domingo, Setembro 10, 2006

just say it

Diz-me que eu te alegro as manhãs, mesmo quando acordas sobressaltado com um telefonema meu...
Diz-me que não te importas quando acordo birrenta e barafusto com tudo e todos...
Diz-me que ainda gostas do meu cabelo apesar de os caracóis estarem desfeitos
ou dos meus olhos, quando a maquilhagem se desfaz...
Diz-me que não achas estranho eu comer chocolate em pó directamente da lata...
Diz-me que achas engraçado eu passar a vida a comer em vésperas de um exame, uma hora depois de ter almoçado ou jantado...se tanto...
Diz-me que é normal eu dormir sempre de meias...
Diz-me que te faço feliz, só por andar simplesmente se mãos dadas contigo na rua...
Diz-me que me proteges, mesmo quando choro no teu ombro por uma coisa insignificante e te mancho a camisa de lágrimas...
Diz-me que gostas de mim...

just say it...again

(este post tem mais de dois anos e foi publicado nos tempos áureos do bolg "Canela e Noz-Moscada: http://especiarias.blogs.sapo.pt/ ou http://especiarias.blogspot.com/ ...há muito, muito tempo.)

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Regresso



E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.

Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.

Mas já no mar quem fomos é estrangeiro
e já em Portugal estrangeiros somos.
Se em cada um de nós há ainda um marinheiro
vamos achar em Portugal quem nunca fomos.

De Calicute até Lisboa sobre o sal
e o Tempo. Porque é tempo de voltar
e de voltando achar em Portugal
esse país que se perdeu de mar em mar.

Manuel Alegre

Sábado, Setembro 02, 2006



O negativo das coisas é o outro lado da alma.

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

ilha

Deitada és uma ilha e raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

(David Mourão-Ferreira)