"Questa mattina mi son svegliato
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
questa mattina mi son svegliato
e ho trovato l'invasor.
Oh partigiano, portami via
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
oh partigiano, portami via,
che mi sento di morir.
E se io muoio lassù in montagna
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
e se io muoio lassù in montagna
tu mi devi seppellir.
Seppellire sulla montagna,
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
seppellire sulla montagna
sotto l'ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
e le genti che passeranno
mi diranno: "Che bel fior".
È questo il fiore del partigiano,
oh bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao,
è questo il fiore del partigiano
morto per la libertà."
Aqui fica a letra da musica que perdurou na boca de todos ate o sol raiar nas comemoraçoes italo-portuguesas do sempre sempre 25 de Abril...
linda noite...
Quinta-feira, Abril 26, 2007
De lés a lés
O frio da manhã enrola-se por entre os dedos que seguram o café tirado numa daquelas máquinas de moedas. As linhas férreas estendem-se até ao infinito, assim como a minha imaginação. São sete horas e vinte minutos, faltam cinco até o comboio chegar. Em cinco minutos imagina-se tanto. Tantas conversas travadas com pessoas dos mais diversos cantos do mundo, aprendem-se novas palavras, ou palavras "velhas" em línguas diferentes. Comparam-se tantas cores de pele, de cabelo, de olhos, experimentam-se tantos sabores, tantos doces típicos, trocam-se receitas. Fixam-se cheiros, como o da pizza acabada de fazer num estabelecimento que fica a caminho da estação. Aperto o cachecol, pego na mochila. O comboio pára ruidosamente à minha frente. Começa, novamente, o palmilhar de uma terra desconhecida, uma sede de saber e uma vontade enorme de amar cada pedaço de chão.
Assinalo no mapa as cidades pelas quais já passei, aos poucos vou conhecendo Itália. Uma Itália metropolitana e sofisticada e uma Itália simples e rural onde a verdura que brota do chão e a fruta que estala no cimo das árvores conferem à paisagem que vou deixando para trás um gosto inesquecível.
A hora da refeição é sagrada. O prazer de degustar é religiosamente preservado. Aprendem-se os truques de confeccionar a pasta, preparar os molhos recheados de cogumelos, natas e presunto, generosamente acompanhados com o famoso queijo parmigiano reggiano com quem mais sabe. A mozzarella de búfalo misturada com o tomate fresco abre o apetite ao mais leigo apreciador. O comboio vai atravessando o país, cortando montanhas, cruzando prados onde crianças ao colo dos avós apontam espantadas para o comboio que me transporta para uma outra dimensão. Chego ao meu destino, de mapa enfiado no bolso de trás das calças, percorre-se a cidade, o centro histórico, as ruelas plenas de vida com flores nas varandas. Visitam-se museus, conhecem-se de perto obras de alguns dos mais importantes artistas que o mundo já viu. Conhecemos cidades que serviram de cenário a muitos filmes hollywoodescos e de boca aberta apreciamos, até as lágrimas surgirem, alguns dos edifícios mais belos que insistentemente aparecem nos livros de história despertando o imaginário de cada um. A incredibilidade sobrepõe-se à realidade.
Almoça-se em frente aos Duomos e às galerias entalados entre muitos outros turistas, mete-se conversa com este e com aquele e aprende-se muito mais do que pudéssemos imaginar. Deixamos que a vida corra, escorra, se espalhe. Olha-se para as sapatilhas cobertas de terra que começam a demonstrar o primeiro sinal de cansaço. Mas é tempo que meter pés ao caminho novamente. O tempo não chega, as correrias são infinitas, para-se em alfarrabistas, compram-se livros. Sentados no chão gasto de cidades calcorreadas todos os dias por milhares de turistas estuda-se novamente o mapa. É impossível ver tudo. O dia começa a escurecer. Há que voltar ao ponto de partida. Há que voltar para casa, para a nossa pequena e bela Parma e sempre que a ela retorno a acho mais linda e acolhedora do que quando a deixei.
No dia seguinte, as pernas ainda doem da caminhada do dia anterior escondidas debaixo da mesa da sala de aula. O professor explica, mas o pensamento está longe…nas obras de Botticelli e Leonardo da Vinci em Florença, no Grande Canal e nas ruas estreitas de Veneza, nos violinos Stradivarius em Cremona, na terra de Cristóvão Colombo em Génova, na grande Catedral e no teatro "La Scala" em Milão, na Universidade mais antiga do mundo em Bolonha e em tantos outros sítios.
E de volta a casa as rodas da bicicleta transformam-se em rodas de comboio que trabalham freneticamente a todo o vapor para tentar acompanhar o pensamento que vai a léguas de distância. Deliciosamente perdido pelo coração de Itália.
(publicado no jornal Académico)
Assinalo no mapa as cidades pelas quais já passei, aos poucos vou conhecendo Itália. Uma Itália metropolitana e sofisticada e uma Itália simples e rural onde a verdura que brota do chão e a fruta que estala no cimo das árvores conferem à paisagem que vou deixando para trás um gosto inesquecível.
A hora da refeição é sagrada. O prazer de degustar é religiosamente preservado. Aprendem-se os truques de confeccionar a pasta, preparar os molhos recheados de cogumelos, natas e presunto, generosamente acompanhados com o famoso queijo parmigiano reggiano com quem mais sabe. A mozzarella de búfalo misturada com o tomate fresco abre o apetite ao mais leigo apreciador. O comboio vai atravessando o país, cortando montanhas, cruzando prados onde crianças ao colo dos avós apontam espantadas para o comboio que me transporta para uma outra dimensão. Chego ao meu destino, de mapa enfiado no bolso de trás das calças, percorre-se a cidade, o centro histórico, as ruelas plenas de vida com flores nas varandas. Visitam-se museus, conhecem-se de perto obras de alguns dos mais importantes artistas que o mundo já viu. Conhecemos cidades que serviram de cenário a muitos filmes hollywoodescos e de boca aberta apreciamos, até as lágrimas surgirem, alguns dos edifícios mais belos que insistentemente aparecem nos livros de história despertando o imaginário de cada um. A incredibilidade sobrepõe-se à realidade.
Almoça-se em frente aos Duomos e às galerias entalados entre muitos outros turistas, mete-se conversa com este e com aquele e aprende-se muito mais do que pudéssemos imaginar. Deixamos que a vida corra, escorra, se espalhe. Olha-se para as sapatilhas cobertas de terra que começam a demonstrar o primeiro sinal de cansaço. Mas é tempo que meter pés ao caminho novamente. O tempo não chega, as correrias são infinitas, para-se em alfarrabistas, compram-se livros. Sentados no chão gasto de cidades calcorreadas todos os dias por milhares de turistas estuda-se novamente o mapa. É impossível ver tudo. O dia começa a escurecer. Há que voltar ao ponto de partida. Há que voltar para casa, para a nossa pequena e bela Parma e sempre que a ela retorno a acho mais linda e acolhedora do que quando a deixei.
No dia seguinte, as pernas ainda doem da caminhada do dia anterior escondidas debaixo da mesa da sala de aula. O professor explica, mas o pensamento está longe…nas obras de Botticelli e Leonardo da Vinci em Florença, no Grande Canal e nas ruas estreitas de Veneza, nos violinos Stradivarius em Cremona, na terra de Cristóvão Colombo em Génova, na grande Catedral e no teatro "La Scala" em Milão, na Universidade mais antiga do mundo em Bolonha e em tantos outros sítios.
E de volta a casa as rodas da bicicleta transformam-se em rodas de comboio que trabalham freneticamente a todo o vapor para tentar acompanhar o pensamento que vai a léguas de distância. Deliciosamente perdido pelo coração de Itália.
(publicado no jornal Académico)
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